Músico · Produtor · Diretor Musical
Marcelo Bueno — Fundador da BERA

Marcelo Bueno

BDV Produções · BERA

Antes mesmo de saber ler música, Marcelo Bueno já fazia ritmo. No quarto de criança, sentado na beliche, ele transformava colheres em baquetas e cadernos em bumbo, marcando o tempo dos LPs que os pais colocavam para tocar. O menino queria a bateria — mas foram os pais quem escolheram o instrumento. Com cerca de oito anos, no interior de São Paulo, Marcelo sentou-se pela primeira vez diante de um piano. A imposição virou paixão. E a paixão, destino. Pegava o gravador de fitas cassete de seu pai e gravava seus amigos fazendo "novelas de rádio" ou cantando. E assim dava seus passos no que seria seu futuro.

Queria a bateria. Os pais escolheram o piano. Com o tempo, ele entendeu que tinham razão.

Seguiu estudando com rigor — música, mas não só. Ao longo dos anos, Marcelo construiu uma formação intelectual pouco comum para um músico: estudou Sistemas de Informação, Psicologia e História. Essa curiosidade plural moldou uma escuta diferente, capaz de enxergar conexões onde outros veem apenas especialidades.


Anos 80 Ainda adolescente, Marcelo já era figura certa nos palcos improvisados da cena cristã paulista. Festivais, bandas de igreja, congressos, acampamentos — onde houvesse necessidade e um teclado para plugar, ele estava. Dizia tchau para os pais e partia. Sem cachê, sem contrato, sem retorno financeiro. Só a paixão pelo que fazia e a fé que carregava. Foi nessa estrada — movida mais por convicção do que por conveniência — que Marcelo aprendeu o que nenhuma escola ensina: como segurar uma plateia, como servir a música e como a música serve a quem acredita nela.

Em 1988, um convite de amigos o levou ao estúdio pela primeira vez para uma gravação profissional. Uma nova dimensão se abriu — e ele nunca mais deixou de gravá-la.


Anos 90 A estrada dos anos 80 desembocou em algo maior. Marcelo assumiu a direção musical de igrejas cristãs em São Paulo, produzindo instrumentais, trilhas e álbuns. Foi nesse período que sua trajetória começou a cruzar com nomes que definiam o som gospel brasileiro: produziu uma música de autoria de Adhemar de Campos em um álbum da Comunidade Carisma de Osasco e teve o privilégio de tocar ao lado dele em algumas ocasiões. Cruzou na estrada com João Alexandre, ao lado de quem tocou no casamento de um amigo em comum. Dividiu palco com Rebanho, Kadosh, Banda Resgate e Oficina G3, e circulou por todo o cast da Gospel Records num momento em que o gospel brasileiro vivia uma de suas gerações mais criativas.

O ponto alto desse período veio por volta de 1998, com a visita do cantor americano Don Moen, da Integrity Music, ao Brasil. Marcelo foi escolhido para dirigir a banda que o acompanhou, conduzindo uma apresentação gravada ao vivo que ficaria na memória do público gospel brasileiro.

Como pianista, atuou também nos musicais da Igreja Batista do Morumbi — onde a música encontrou o teatro pela primeira vez em sua trajetória. E enquanto os palcos chamavam, a tecnologia também: sua formação em sistemas o levou além das fronteiras, com atuação como desenvolvedor de sistemas de grande porte na Alemanha. Uma vida dupla de código e notas que poucos conseguiriam equilibrar com a mesma naturalidade.


2015 Quando Marcelo saiu da área de sistemas e cogitou voltar, foi sua esposa, Cristiane Bueno, quem o convenceu do contrário: voltar às origens musicais. A decisão mudou a trajetória de toda a família. Marcelo fundou a BDV Produções, dedicada à produção musical, criação de trilhas sonoras, sonorização e iluminação — com foco especial no teatro. Cristiane, por sua vez, mergulhou no universo da luz e tornou-se técnica de iluminação cênica, hoje atuando no SESC Franca e em espetáculos por todo o estado de São Paulo. O incentivo que ela deu ao marido voltou para ela em forma de carreira.

A BDV tornou-se parceira de companhias e grupos teatrais em palcos por todo o Brasil e nos SESCs, entregando a cada produção a mesma atenção que Marcelo sempre dedicou ao detalhe musical.

Em casa, a música também encontrou outro caminho. Marcelo criou para sua filha Júlia Bueno — incentivada por ele desde cedo a se relacionar com a música — uma canção a partir do poema Leilão de Jardim, de Cecília Meireles. A música tornou-se referência no universo pedagógico e acumula quase dois milhões de reproduções. Uma segunda composição, A Borboleta e a Chuva, com poesia da escritora amazonense Rosa Clement, foi selecionada para o Prêmio Rádio MEC em 2024 — reconhecimento nacional para um projeto que nasceu dentro de casa, com amor e escuta.

O filho mais novo, influenciado pelo pai, trilhou seu próprio caminho entre arte e tecnologia: estuda Tecnologia na Fatec, desenvolve projetos de realidade virtual na BERA e atua como iluminador cênico — fechando um ciclo em que a família inteira encontrou, cada um à sua maneira, a linguagem que Marcelo passou a vida inteira aprendendo a falar.


Hoje, sob o nome BERA, a empresa vive sua fase mais ampla. Ao portfólio somaram-se projetos de edutainment com enciclopédias interativas sobre povos originários, teatro brasileiro, biomas e música brasileira; experiências em realidade virtual e aumentada; participação em editais culturais; consultoria; e outros trabalhos autorais que situam a BERA no cruzamento entre arte, tecnologia e educação.

Da beliche com a colher às enciclopédias em VR — a história de Marcelo Bueno é a de alguém que nunca parou de aprender ritmo. Apenas foi trocando os instrumentos.

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