Destruída desde 1500, ela ainda resiste. Um dos cinco hotspots de biodiversidade do planeta — de pé sobre 12% do que um dia foi.
500 anos de destruição, o pau-brasil, o café, o mico-leão salvo e a floresta que ainda resiste sobre 12% de si mesma.
4 atos · personagens reais · dados e história
A Mata Atlântica acompanhou o Brasil desde antes de existir um Brasil. Foi ela que os portugueses encontraram quando aportaram em 1500 — uma muralha verde que corria do Ceará ao Rio Grande do Sul, subindo serras, descendo para o litoral, cobrindo a encosta de um continente com uma floresta que levou mais de sessenta milhões de anos para se formar. O país nasceu dentro dela, cresceu sobre ela, e a destruiu com uma velocidade que a história raramente registrou com a seriedade que merecia.
Hoje restam menos de 12,5% da cobertura original. O que permanece está fragmentado em milhares de pedaços espalhados por quinze estados — ilhas de mata cercadas por cidades, pastagens e monoculturas. E ainda assim, nesse estado de quase ruína, a Mata Atlântica é um dos cinco hotspots de biodiversidade do planeta. Um hotspot é uma região que concentra níveis excepcionais de endemismo e ao mesmo tempo enfrenta destruição excepcional. A Mata Atlântica preenche os dois critérios com folga.
Mais de vinte mil espécies vegetais vivem nesse bioma — das quais cerca de oito mil não existem em nenhum outro lugar do mundo. O mico-leão-dourado, símbolo de uma das maiores histórias de conservação bem-sucedida do Brasil, só existe aqui. A jaguatirica, o muriqui — o maior primata das Américas —, inúmeras espécies de rãs, aves e borboletas que a ciência ainda está catalogando. Em alguns pontos da Serra do Mar, a densidade de espécies por metro quadrado supera qualquer outro bioma continental já medido.
Mais de cento e oitenta milhões de brasileiros vivem no domínio original da Mata Atlântica — o que significa que esse é o bioma que fornece água, regula temperatura e sustenta ecossistemas para a maior parte da população urbana do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife — todas essas cidades existem dentro do que um dia foi floresta atlântica. A conservação do que resta não é uma pauta ambiental abstrata: é infraestrutura hídrica e climática para a vida urbana brasileira.
O que a Mata Atlântica ensina, acima de tudo, é que a resiliência tem limites — mas que dentro desses limites ela é extraordinária. Fragmentos de floresta que sobreviveram décadas isolados ainda abrigam espécies raras. Áreas desmatadas que foram restauradas voltam a atrair fauna em poucos anos. Existe esperança aqui. Mas ela exige ação: de políticas públicas, de ciência aplicada, de educação ambiental e de uma mudança profunda no modo como o Brasil valoriza o que ainda tem.
A Mata Atlântica perdeu 88% de sua cobertura e ainda é um dos biomas mais ricos do mundo. Imagine o que seria se o Brasil não a tivesse derrubado.
A Mata Atlântica perdeu 88% de sua cobertura e ainda é um dos biomas mais ricos do mundo. Imagine o que seria se o Brasil não a tivesse derrubado.
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